MEDO DE MORRER
Um confrade muito inteligente, certa vez numa palestra publica, escandalizou seus ouvintes, declarando que não tinha medo de morrer . Ao terminar sua exposição, foi aberto a perguntas, um senhor idoso declarou seu espanto, ao ver que um espírita esclarecido, como ele, tivesse medo de morrer. O amigo justificou.
Meu caro confrade: a gente, aqui, na carne, vai levando a vida escondido, disfarçado, como se estivesse atrás de uma espessa mascara. Do lado de lá, isto é impossível: mostramo-nos em toda nudez da nossa imperfeição.
É claro, pois, que aquele que resolver dedicar-se ao trabalho da mediúnico e da caridade com amor, precisa convencer-se de que deve estar em constante vigilância consigo mesmo, com o que diz e faz. E preciso desenvolver um mecanismo automático interior, que acenda uma luzinha vermelha a qualquer “fuga” ou distração maior. Não quer isto dizer que temos de nos transformar em santos mas significa que devemos nos vigiar constantemente , temos nossas falhas, mas estaremos sempre prontos a nos advertir interiormente e a reajustar a mente que com a maior facilidade, pode levar-nos a escorregões de imprevisíveis conseqüências.
Exemplos? Há muitos: O envolvimento numa conversa maledicente; o distraído olhar de cobiça para uma mulher atraente, na rua; uma piada grosseira e pesada; um pensamento de rancor ou de revolta, em relação ao chefe ou companheiro de trabalho, ou de inveja, com relação a alguém que se destacou por qualquer motivo; a leitura de um livro pornográfico; a assistência a um filme pernicioso. A milhões de motivos, diante de nós, a cada momento, pois vivemos num mundo transviado, exatamente porque reflete a massa de seres desajustados que vivem na sua psicosféra. Toda atenção e pouca. A vigilância dispara o sinal de alarme: a prece, a defesa e a correção. Ninguém precisa chegar, porem, aos extremos do misticismo, a ponto de viver rezando pelos cantos, de olhos baixos pela rua, temendo o “contágio” com os pecadores. Também somos pecadores, no sentido de que todos trazemos feridas não cicatrizadas, de falhas clamorosas, no passado mais distante e no passado recente.
Como seres imperfeitos, temos, pois, de viver com o semelhante, também imperfeito. Não há como fingir de ninguém e isolar-se em torre s de marfim, mosteiros inacessíveis, grutas perdidas na solidão. Nosso trabalho é aqui mesmo, com o homem, a mulher, o velho, a criança, seres humanos como nós mesmos, com as mesmas angustias, inquietações, mazelas e imperfeições. O que enxerga um pouco mais, ajuda o cego, mas, talvez, este disponha de pernas para caminhar e pode, assim, amparar o coxo. E quem sabe se o aleijado dispõe de conhecimento construtivo que possa transmitirão mundo? Este, um dia, no futuro, voltará a falar, para ensinar e construir. Somos, pois, uma tremenda multidão de estropiados espirituais, e a diferença evolutiva entre nós, aqui na Terra, não é lá grande coisa. Vivemos num universo inteiramente solidário, no qual uns devem suportar e amparar os outros, ou na linguagem evangélica: amar-nos uns aos outros, Não e difícil. E é necessário. E como!...

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